Digam o que quiser, mas contra fatos não há argumentos. Professor e Filósofo, considerado um dos maiores pensadores da história da pedagogia no mundo, envolvido com o movimento pedagogia crítica, que trata de um movimento educacional movido pela paixão e com o objetivo de tornar estudantes atuantes, de consciência de liberdade .

Primeiro, pelo fato de ser um brasileiro, nordestino, de vida simples, como grande parte dos que nascem por aqui. Sua história é parecida com grande parte do nosso povo e sempre foi motivador o fato de que a história de Paulo Freire sofreu uma revolução e revolucionou o sistema de ensino no país e no mundo. Este cidadão que escrevia sobre a Educação com tanto amor e apreço sempre se posicionou a favor do direito para todos, do direito de deixar a alienação e se posicionar como ser atuante e parte da história que rege a humanidade.

Depois por perceber através de seus livros o quanto se cresce em amor quando a Educação é percebida e oferecida como um instrumento poderoso contra a escassez e a desigualdade social.

A pergunta descrita no título desse post faz parte do livro ” Medo e Ousadia – O cotidiano do professor” de Ira Shor e Paulo Freire. Estou folhando as paginas desse livro de 1986 e percebo que quanto ele é atual. Na verdade todos os escritos de Paulo Freire que já tive a oportunidade de ler me transmite essa sensação de ser fazer parte do que já vivemos mas também não deixa de ser atual. Voltemos a pergunta inicial!

Como é que os professores se transformam em educa-dores libertadores?

Como estudante, tenho um olhar crítico. Eu, aluna de escola pública, posso afirmar que em toda a minha ocupação estudantil não tive muitos professores interessados em transformar vidas, como sugere o pensador. O que de muito presenciei eram profissionais frustrados que nem pensavam na possibilidade de ousar em alguma atividade perante uma sala de 35 alunos. Posso contar nos dedos das mãos quantos foram os professores que usaram seu conhecimento e sua habilidade educacional para despertar no estudante uma vontade de tornar-se um indivíduo atuante perante a sociedade. A impressão que os professores passavam era o desapego e desinteresse pelo ofício de dar uma boa aula e parecia também que eles faziam entre eles uma “leitura do futuro” de cada estudante que passavam por suas classes. Faziam insinuações como profecia de que fulano não teria nada, não aprenderia nada, seria mais um fracassado, bandido, mulher de malandro e outras coisas que aqui seriam impublicáveis pela alta de respeito.

Como profissional da Educação, meu olhar não deixa de ser crítico com a classe mas mudou um pouco por perceber que a Educação sempre esteve ligada a uma hierarquia política do conhecimento, saberes de valores distintos, uns mais reconhecidos, outros nem tanto. Quanto você pode pagar? É desse questionamento que virá a qualidade de ensino. Realidade de uma história ligada a nós desde sempre.

Frases desse livro para reflexão:

“A educação libertadora é, fundamentalmente, uma situação na qual tanto os professores como os alunos devem ser os que aprendem; devem ser os sujeitos cognitivos, apesar de serem diferentes. Este é, para mim, o primeiro teste da educação libertadora: que tanto os professores como os alunos sejam agentes críticos do ato de conhecer”.

“E a necessidade de uma “democracia da libertação”, “mudar as condições concretas da realidade significa uma prática política extraordinária, que exige mobilização, organização do povo”…

“O que aprendi, refletindo sobre o Golpe de 1964, foi sobretudo uma lição sobre os limites globais da educação. É claro que o Golpe no Brasil e, depois, os golpes na América Latina me levavam a perceber claramente os limites da educação. Não digo que antes de 1964 eu estivesse absolutamente convencido de que a educação poderia ser o instrumento de transformação da sociedade. Mas, de todo modo, não estava seguro a esse respeito. já critiquei minha ingenuidade sobre os limites globais do ensino, num
ensaio escrito em 1974.(1) Mas o Golpe de Estado colocou esta questão com muita clareza, e me ensinou os limites. Evidentemente, isso não quer dizer que devemos ter, constantemente, golpes para aprender coisas boas!”

” Ficava chocado com a divisão da sociedade em classes tão diferentes. Na mesma cidade, via milionários vivendo uma vida muito boa, enquanto que milhões de pessoas tinham fome e não tinham o que comer.”

“Se não sou mais ingênuo, isso quer dizer que não sou mais acrítico.”

“O domínio escolar das palavras só quer que os alunos descrevam as coisas, não que as compreendam. Assim, quanto mais se distingue descrição de compreensão, mais se controla a consciência dos alunos.”

Ao refletirmos esses pontos mencionados por Paulo Freire, todos aqueles que são engajados numa educação concreta, real, produtiva e libertadora percebemos que ainda TEMOS MUITO PARA APRENDER E EVOLUIR!

 

4 Comments

  1. Geraldo Magela
    02/09/2020 at 6:43 — Responder

    Vejam o filme Brasil entre Armas e Livros

    • 17/09/2020 at 14:17 — Responder

      Olá Geraldo, prazer em tê-lo por aqui. Eu assisti e confesso que me causou repúdio!! Uma distorção dos fatos. Na minha opinião, UM HORROR!!

  2. Jaqueline
    02/09/2020 at 13:53 — Responder

    Maravilhoso. Sempre atual. Como consigo adquirir esse livro citado?

    • 17/09/2020 at 14:11 — Responder

      Olá Jaqueline, concordo pleanamente com você, Paulo Freire é tudo de bom e é muito atual. Eu sempre deixava disponível aqui no blog, um link contendo 17 obras de Paulo Freire, se tiver interesse, é só acessar: https://cpers.com.br/paulo-freire-17-livros-para-baixar-em-pdf/
      Obrigada pelo comentário! É sempre bom receber uma devolutiva dos conteúdos que postamos por aqui!! Volte sempre!

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