Acabo de ver na internet que a cantora Alanis Morissette fez um desabafo em sua rede social sobre depressão pós-parto e lendo cada palavra da artista, fui voltando vinte anos na minha história. A cantora de 45 anos, deu a luz ao terceiro filho a aproximadamente dois meses e relata que está sofrendo, mais uma vez, de depressão pós parto.

” Eu não tinha certeza se eu teria depressão / ansiedade pós-parto desta vez. Existem tantos tentáculos nessa experiência. Vou quebrá-los com o tempo, tenho respostas, protocolos e soluções e RX para ter certeza”, escreveu. “Hormonal. Dor física. Isolamento. Ansiedade. Cortisol. Recuperação do parto (tão bonito e intenso quanto o meu foi em casa, o nascimento dos sonhos), integrar um novo bebê anjo com um bebê anjo mais velho. Casamento. Todos os tipos de gatilhos do TEPT. Super estimulação. Esse corpo. Tentando retornar para uma configuração semi-reconhecível” Alanis

Declaração de Alanis no seu Instagram

Ao ler essa declaração, esse desabafo,  lembrei-me do quão difícil foi  superar esse turbilhão de emoções.

Eu vivi isso!

Quando completei 19 anos, nasceu a minha primeira filha, Rafaela, nome dado em homenagem ao meu avô materno. Depois de ter passado por uma gravidez repleta de altos e baixos, eis que se concretizava a maternidade em minha vida. O primeiro momento entre mãe e filha foi inesquecível, eu não sabia o que me esperava, não tinha dimensão de tudo que iria mudar na minha vida, mas ali concretizava-se o mais puro e sublime ato de AMAR. Eu não tive dúvidas, o amor estava ali! Mas… Nem tudo são flores, exato? Meus pais sempre foram meu alicerce,  me ajudaram muito , nunca me oprimiram ou me recriminaram pelo fato de tão nova ter optado pela maternidade. No dia do nascimento dessa pequena, lá estavam eles me levando para o hospital, todos apreensivos com a chegada de mais uma integrante da família.

Em casa.

Quando tivemos alta, fomos para casa e já com o bebê sobre os braços comecei a perceber que algo dentro de mim não estava muito bem. Primeiro pelo fato das dificuldades que tive para amamentar, eu não tinha na época, maturidade emocional para enfrentar aquela  situação. A sensação é bem essa descrita pela artista Alanis Morissete, tudo está em transição no seu corpo e na sua mente. Você se depara com situações complexas como a mudança do corpo, o tempo que não é só para você mais, a família, a dor física, o amor ao novo bebê, a insegurança de como vai dar conta de tudo sendo uma só… Como eu só tinha 19, ainda me deparei com o sentimento de que abandonará a mim. Não rejeitei minha filha, eu a amei desde o primeiro momento mas a cabeça da gente fica ludibriada e até acertar tudo lá dentro leva um bom tempo, é como um quebra-cabeça que aos poucos, as peças vão se encaixando.  

 

O Choro.

Lembro do dia em que não consegui amamentar e tivemos que voltar a maternidade. Minha filha chorando de fome e eu entrando num colapso emocional. Desmaiei ao entrar no complexo hospitalar e quando acordei já estava acamada. Precisei tomar medicamentos, passar o dia em observação e com o acompanhamento de uma enfermeira, consegui amamentar. Chorei, lembro que chorei por dias por conta da dor física e psicológica. Dei muito trabalho, e meus pais sempre me deram apoio para enfrentar tudo. O tempo e o amor que sentia por ela foi me desvinculando da depressão e da ansiedade que sentia,  fui me adaptando, deixei algumas coisas para trás e iniciei outras, fui sempre buscando o melhor de mim para transmitir, e confesso que nem sempre consegui, a gente vai tentando e quando erra, volta e faz tudo de novo. A vida é assim e eu sei que a minha história se aproxima de muitas outras histórias de meninas que também passaram por difíceis transições ou estão passando por isso atualmente.

Escolhas. 

É assim, a vida é repleta de escolhas que geram responsabilidades e que sempre irão gerar resultados, alguns fáceis de resolver, outros não tão fáceis assim. Ter um bebê é sempre uma decisão importante, é uma vida que certamente prestaremos contas, se não para a humanidade, para um SER SUPERIOR.

O que eu aprendi com a maternidade?

Olhando pra trás e analisando toda a mnha trajetória como mãe, compreendi que minha imaturidade, naquela época era normal.Compreendi que antecipei minha maternidade e por isso precisei deixar algumas das minhas aspirações um pouco de lado para me doar por amor. Hoje, já consigo analisar com sabedoria e percebo  essa história é repleta de muita alegria, compreenção e amor. Fui abençoada e as adversidades só me fizeram crescer e evoluir, me sinto uma privilegiada.

Tenho uma parte de mim que vive fora de mim. Entende?

Vejo nela tudo que ensinei. Hoje, posso enxergar o trabalho de um pouco mais de vinte anos refletido na nossa história, na nossa relação de mãe e filha. Não vou dizer que ser mãe é uma tarefa fácil, na verdade, não é nada fácil mas é algo que não se compara a amor algum, é algo que está lá dentro da gente e que nada e ninguém é capaz de tirar. Talvez nem a ciência explique isso. Ser mãe é aprender a viver altos e baixos, é saber que precisar ser dura em alguns momentos e não conseguir, é precisar dizer não quando se quer dizer sim. É derramar lágrimas e lágrimas  nas apresentações escolares e engolir o choro com as malcriações. É aprender a ser brava mas se derreter na primeira carinha de dó! É rir das gracinhas e se afligir quando algo não vai bem, noites em claro, consultas no médico e reuniões da escola, é preocupação com o desempenho, é planejar o futuro sem saber se aquilo se concretizará. É precisar ser forte o tempo todo mas nem sempre conseguir de fato! É chorar no chuveiro, no travesseiro, na rua, no banheiro e até no trabalho. É contar as conquistas do filho com todo orgulho e desabar  com as desventuras.

Eu aprendi que na verdade ainda estou aprendendo e saber de fato se sou boa mãe, aí só ela, no papel de filha, pode responder!!!

Muito amor <3

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