PAPO SÉRIORESENHA

Escola Pública – Sobreviva!

Por que pensei em escrever sobre o Sistema Público Educacional?

Hoje fui buscar minha filha na escola. Faço isso sempre que posso, sei o quanto é importante essa relação entre escola, pais e alunos.

Como descrevi no meu primeiro post, sou formada em pedagogia, acredito que minha habilidade esta muito ligada a área de humanas e como tenho apreço pela leitura e escrita, mergulhei nesse beabá que é a ciência dos processos de aprendizagem.

Sempre fui aluna de escola pública e posso falar com clareza que a realidade dentro desse espaço é na sua maioria das vezes cruel para aqueles que, por necessidade, a frequentam. Existe uma infinidade de situações que complicam o convívio e que minimizam as chances de uma vida de conhecimento e cultura plena. Hoje posso dizer que conto nos dedos das mãos os bons professores que tive, conto quantas vezes foi-me oportunizado uma aprendizagem rica e consistente que me levaram a compreensão de fato! Posso contar uma variedade de situações onde os alunos ficam a mercê da intolerância e do descaso do Sistema de Educação desse país. Anos de conteúdo medíocre, professores usando termos esdrúxulos,tais como,  peso, abacaxis,  diabos, pragas, demônios, encapetados, macacos para mencionarem seus alunos. Nunca entendi esse disparate. Eu sempre me senti prejudicada dentro do espaço que eu deveria ser o sujeito mas o sistema não permitia. Eu sentia que alguns professores descarregavam suas frustrações em nós! Claro, também existe a dificuldade de se dar aula dentro de uma Instituição Pública sobrecarregada e com regras de um Sistema medíocre, mas precisamos entender que ser professor é uma escolha e não uma imposição!

Por conta desse contraste na Educação, fui buscar explicação nos processos de aprendizagem, e tentar entender quais os motivos que levavam  indivíduos, formados para dar  para a sala de aula  quando era visível a falta de empatia por sua própria espécie!

Esse vídeo mostra claramente o processo de aprendizagem.

Refletindo

Essa história  foi apresentada em uma aula da faculdade e eu  pude entender que o processo de aprendizagem é algo que leva tempo e só é efetivo quando esse processo segue etapas. Pra mim o conto relata a ligação entre  estudante  professor.

Vamos por partes:

O aluno é o sujeito desse processo, ele é o indivíduo que está buscando adquirir um certo conhecimento e precisa de alguém que oportunize isso a ele. É neste momento que entra em cena,  o professor que vai ser o mediador do saber.  O personagem que representa o mediador é um ser com características peculiares talvez para associá-lo a um ser enigmático. Quantas vezes nos deparamos com professores que eram como seres  intocáveis  e assustadores?

O estudante precisa senti que faz parte do processo de aprendizagem, é preciso que o professor ganhe sua confiança, ele precisa crer que realmente é o sujeito da situação, senão lhe será arrancado  o direito da aprender.  Se esse mediador entende seu papel dentro desse sistema educacional, certamente grande parte daqueles que cruzarem seu caminho terão exito. Claro que não temos o poder de alcançarmos a todos, mas é preciso refletir a  importância do nosso papel perante essa realidade dentro das escolas públicas. Não tem como ser omisso e se acomodar com esse sistema corrompido. Professor,  seja você merecedor de ser lembrado pela sua excelência nesse processo e não por ser mais um que desconta nos estudantes a frustração de ter escolhido uma profissão que não lhe cabia.

O pensador

Já dizia Paulo Freire: Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.

Aqui esta registrado o desabafo de uma estudante que frequentou os espaços dentro das escolas  públicos e que escolheu a ciência dos processos de aprendizagens para tentar entender os motivos que levam alguns  indivíduos  a escolherem uma profissão que além de muita habilidade e conhecimento exige empatia  por sua espécie. Confesso que até hoje não consegui entendê-los e o mais triste é saber que ainda hoje, estudantes passam pelas mesmas dificuldades que já vivi outrora e que pessoas medíocres tiram o lugar de bons profissionais anulando  as chances de uma parcela da sociedade de crescer em conhecimento e cultura.

Seria utopia dizer que ainda espero ver os bons ocupando essas tarefas?

 

Bjooo, fuiii!

3 Comments

  1. Maria Imaculada Teixeira Gutierrez
    16/07/2021 at 20:18 — Responder

    Observação: repeti muitas palavras e outras ficaram com erros. Não gosto e tenho dificuldade de digitar no celular. Prefiro usar meu PC pessoal, mas não estou em casa e quando vi sua postagem me senti “induzida” a comentar. Abraço. 👋

  2. Maria Imaculada Teixeira Gutierrez
    16/07/2021 at 20:10 — Responder

    Olá, Dan. Muito bom seu texto. Seus questionamentos têm respostas, porém são muito mais complexa do que pode se imaginar ( estou escrevendo um livro sobre o assunto). Sou professora titular (que passou em concurso) há vinte anos e, infelizmente observei em meus colegas (lecionei em várias escolas) exatamente o que você percebeu. “Comprei briga” em favor de vários alunos. O que vou te falar não justifica o comportamento dos professores, mas explica, em parte. Quando procuramos a formação para a profissão, temos em mente que poderemos “melhorar o mundo” através da educação escolar. Em nossa inexperiente visão ( faculdade/ teoria) nos vemos ansiosos em transmitir o que aprendemos, principalmente nós que estudamos Humanas ( sou de História). A maioria dos professores não conseguem passar em concurso (outro tema complexo). Todo professor não concursado começa a profissão fazendo inscrição nas Diretorias de Ensino. É feita uma lista classificatória (outro tema complexo). Se o professor (“der sorte”) for chamado ele terá que aceitar a escola e a quantidade de aulas que tiver. Caso você não saiba, professores do quinto ano ao Ensino Médio recebem salários por quantidade de aulas, o que já compromete sua atuação pessoal. Somado a isso vem a formação de seu horário de aulas e não temos, oficialmente, horário de almoço nem podemos comer da merenda. Pra encerrar (como disse o assunto é por demais complexo), Vivi o momento em que foi começou o que ficou popularmente chamado de “aprovação automática dos alunos”. Isso fez com que os alunos, salvo excessões, simplesmente deixassem de tentar aprender. A reprovação não é um castigo, pelo contrário, é uma forma de dar chance ao aluno de ir para a próxima série, conseguir acompanhar e seguir adiante. Também participei do momento em que foi escrito o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ele surgiu com o objetivo de evitar maus tratos às crianças por parte da família, porém (como a maioria das leis) deixou espaço para “justificar” que o aluno fizesse o que bem entendesse na sala de aula, atrapalhando inclusive os colegas que tentavam prestar atenção nas aulas. Isso não justifica absolutamente que o professor destrate seus alunos, mas ao mesmo tempo também sofre pressão de Coordenadores e Diretores que lhe cobram justificativas pelo mau desempenho dos alunos. Há muitos outros motivos para que a escola pública, que é o conjunto de todos os que ali atuam, ter chegado ao ponto que você, com razão, citou. Como falei a realidade e os motivos são muito mais complexos (desculpe a redundância do termo) do que possa parecer. Caso você queira meu contato, meu email é:
    imaculadagutierrez523@gmail.com
    Abraço.

    • 26/01/2022 at 10:22 — Responder

      Olá, bom dia professora Maria.

      Que honra receber essa troca e saber um pouco mais sobre o professor que vive em seu dia a dia, as desventuras de um Sistema Educacional “sucateado”, que prejudica toda uma sociedade. Eu sou professora formada em pedagogia e sou servidora pública da Saúde, sou responsável pelo Setor de Educação da Coordenadoria em que trabalho, meu trabalho não é na sala de aula, nós recebemos escolas, alunos e professores mas estar dentro da sala de aula é um outro patamar! Minha irmã é professora assim como você, ela sempre comenta essas situações desastrosas do Sistema e suas palavras se aproximam muito do que ela compartilha comigo!! É triste, nossa profissão não é reconhecida nesse país e claro, merecemos mais respeito. Mas qdo escrevi esse post me coloquei nas duas posições: primeiro a de aluna. Sempre achei injusto o sistema, injusto para os estudantes e também para os professores. Temos uma luta difícil mas por outro lado, juntos somos FORTES!! Obrigada por compartilhar um pouco da sua história comigo e todos os leitores do blog!! Bjos

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