GRANDES MULHERES

Carolina de Jesus

A grande mulher de hoje é a escritora CAROLINA DE JESUS

Eis um nome a ser reconhecido por todos! Entra em cena a escritora do livro “Quarto do despejo”.

Carolina Maria de Jesus  nasceu em   Minas Gerais em  14 de março de 1914, dentro de uma comunidade rural de Nazaré. Seus pais eram  analfabetos e na sua infância sofreu muito.  Aos sete anos foi obrigada por sua mãe a  frequentar a escola,  seus estudos seriam pagos pela esposa de um rico fazendeiro  mas a menina cursou somente até o segundo ano do ensino fundamental, aprendeu a ler e a escrever e desenvolveu grande apreço pela leitura.

Aos 23 anos, com o falecimento de sua mãe, Carolina precisou migrar para a cidade de São Paulo, a vida na cidade grande foi repleta de dificuldade. Ela mesma construiu sua casa, usando todo o tipo de material  que encontrava nas ruas. Coletava papel todos os dias para  conseguir algum dinheiro para sobreviver. Carolina teve três filhos, o primeiro, João José,  seguidos de José Carlos e Vera Eunice.

 

Em 1947, aos 33 anos, Carolina foi viver na  favela do Canindé e logo conseguiu um emprego na casa do  doutor  Euryclides de Jesus Zerbini, médico precursor da cirurgia de coração, e foi justamente a partir daí que Carolina conseguiu um contato  intenso com os livros. Em seus horários vagos, se perdia por entre os livros da  biblioteca do doutor, ali era o seu passatempo.

Em 1960, tudo mudou, seu sonho se realizou e Carolina escreveu o livro “Quarto de despejo” que  foi lançado pela Livraria Francisco Alves, mais de 70 mil exemplares foram vendidos na época.

O livro foi um sucesso!  Quarto de despejo foi traduzido para 14 idiomas e alcançou mais de 40 países, como Dinamarca, Argentina, França, Suécia, Itália,  Holanda, Rússia, Japão, Polônia, Alemanha e Cuba. Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.

 

Citações impactantes dessa escritora:

“Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade.”

“As crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades trágicas e que brincadeira do destino.”

“A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.”

“Tem pessoas que, aos sábados, vão dançar. Eu não danço. Acho bobagem ficar rodando pra aqui, pra ali. Eu já rodo tanto para arranjar dinheiro para comer.”

“Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de conta que eu estou sonhando.”

Aqui está a maior prova de que todos nós somos capazes, todos temos histórias para contar e algo à oferecer no campo do conhecimento. O que nos falta são oportunidades!  Nem tudo se oportuniza à todos.

A Carolina viveu para ver seu sonho se realizar e isso é lindo demais!

“Não digam que fui rebotalho,

que vivi à margem da vida.

Digam que eu procurava trabalho,

mas fui sempre preterida.

Digam ao povo brasileiro

que meu sonho era ser escritora,

mas eu não tinha dinheiro

para pagar uma editora.”

Carolina Maria de Jesus, 1960

 

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