GRANDES MULHERES

Histórias de lá de casa – Amor de mãe

HISTÓRIAS DE LÁ DE CASA

A Vida, o Universo, as forças do bem fizeram de mim uma pessoa privilegiada! Eu tenho uma história e essa história é sobre AMOR, esperança, sobre família.

Quantas histórias são produzidas ao longo das nossas vidas não é mesmo? Vou contar para meus leitores, a história da MULHER QUE MAIS AMO NESSA VIDA.

Em meados de 55 nasce uma super mulher. Sua história está repleta  de força, coragem, superação, determinação, humildade  e amor.

De  família grande e humilde, eram 9 na família, 7 filhos e os pais. Sua infância foi abreviada, o brincar foi-lhe arrancado, ir a escola? Era difícil!  Esse capítulo da história dela é parecida com a de muita gente brasileira nascida em família pobre  que não tem oportunidades. Se mal tinha o que comer, como teria dinheiro para um caderno, um lápis? Ela conta que muitas vezes se entristeceu pelo fato de não ter nem motivação para aulas, por sinal, uma pessoa muito dedicada e estudiosa, mas por sua vida ser muito difícil, não conseguia dedicar-se aos estudos! Por fim, acabou trocando a escola pelo trabalho, começou a ajudar em casa bem cedo, foi trabalhar muito novinha e tudo que ganhava era para complementar o sustento  da família. Bem antes de iniciar o trabalho fora, com 4 anos já cuidava dos irmãos, da casa, sua mãe era costureira e passava o dia inteiro em uma máquina  e o pai estava fora trabalhando. Muitas vezes, quando ouço a história dela, tento construir as cenas e em todas as vezes me emociono e sinto muita vontade de chorar. Suas palavras ao contar suas experiências confirma a sensação de  que foi-lhe negado o direito de ser criança, o direito de estudar e o direito de ter uma vida confortável.

Ainda adolescente conheceu, namorou, noivou e se casou com um garoto que lhe “perseguia” rs  pelos arredores da escola. De muito insistir, a história desses dois indivíduos  de muito bom coração foi cruzada e ali formou-se uma família e juntos tiveram três filhos, frutos desse grande amor entre uma descendente italiana e um rapaz típico “português”, descendente da Madeira.

Essa garotinha cresceu,  construiu uma família e bravamente os manteve emocionalmente felizes, mesmo sem grandes regalias, sem privilégios. Grande feito quando reconhecemos o cenário brasileiro, um território repleto de desigualdade, de   uma sociedade que enche a boca pra falar de meritocracia. Ela nasceu  em um lar onde faltava de tudo e sempre enfrentou as diversidades, os obstáculos, as lutas econômicas com uma força indescritível, quase que sobrenatural. Ela tem um controle emocional de encher os olhos, ela é tão tão forte que eu posso sentir onde quer que  esteja, perto ou longe dela, todo seu afeto através de suas ações. Essa garotinha que virou mulher abnegou a si mesma por amor à família. A impressão que tenho é que ela nunca pensou em si, em suas aspirações, em realizar seus desejos, sempre percebi que o desejo dela era ver a gente bem, feliz, realizadoS e JUNTOS!

Ela trabalhou, trabalhou e trabalhou, assim como sua mãe, ela também ganhou o pão de cada dia sentada em uma máquina de costura, fazia frio, fazia calor, e ela estava lá, horas costurando calças, horas costurando saias e shorts e horas costurando “modinha”. Ela acordava as 5 da manhã e tinha dia que ia parar lá pelas 22h. Nunca teve seus rendimentos dentro do que seria justo para sua jornada de trabalho, mas nunca deixou a família na mão.

Bravamente ajudou o seu companheiro a vencer a batalha contra um câncer de pulmão, incansavelmente, essa mulher esteve junto daquele que viveu quase quarenta anos ao seu lado, até que no  dia  29/12/2007, eles se despediram, e ele descansou!

Continua sua história.

Quatorze anos se passaram dessa despedida e ela continua firme, de pé, lutando o bom combate, cuidando dos seus!!

Hoje ela tem um pouquinho mais de sessenta e é o  norte dos seus filhos e netos, é a nossa fortaleza, o alicerce. Aquela criança que teve o lúdico ceifado, que teve o direito ao saber abreviado, hoje é o meu maior AMOR.

Essa pandemia me deixou mais reflexiva e saber que tenho ela é um privilégio, é uma grande benção, como ela diria!  Não a vejo com tanta frequência porque ela não deixa, rsrsrs, sabiamente faz o distanciamento social e segue todas as orientações  das instituições de Saúde. A história dela revela o quão o ser humano pode superar as “pauladas” da vida e mesmo assim construir uma linda história de AMOR. Essa grande mulher é a minha mãe, conhecida na família e entres os amigos como XODÓ, como eu tenho orgulho dessa pessoa e como eu a admiro! Ela é a minha inspiração!

A sua esquerda, a xodó, minha mãe.

Nem toda semente brotará amor.

Eu e meus irmão não tivemos regalias, não estudamos em escolas renomadas, não tivemos babás, mimos, presentes, viagens, grande passeios e nem dinheiro para satisfazer nossos desejos mas  a graça de se ter uma Mãe Maravilha  é incrível, é infinitamente maior que qualquer bem material que essa terra pode oferecer. A lição que eu levo da história da minha mãe é que o AMOR é um sentimento que nem todos conhecerão, nem todos desfrutarão dessa alegria, não é uma questão econômica, por que o AMOR não  brota de sementes ruins, somente as  sementes boas que resistem e propagam essa graça. 

A minha mãe é uma grande mulher!

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